Yoga, Religião e Espiritualidade

Yoga é um caminho de autoconhecimento. Levei um certo tempo para compreender o que de fato significava autoconhecimento. Assim que tive o primeiro contato com   o Yoga tive a ideia de que esse termo se referia a um conhecimento maior sobre o corpo e a mente. Mas à medida que avancei na prática eu vi que esse é o primeiro passo desse caminho. Comecei a lidar melhor com o corpo e a mente e abri espaço para o que de fato vinha a ser o Yoga, o autoconhecimento como reconhecimento da nossa realidade divina. E a partir desse ponto surge a dúvida: Yoga é religião? Essa dúvida é reforçada pelo fato das práticas muitas vezes se mesclarem com alguns elementos das tradições orientais, especialmente a tradição hindu.

Cada um de nós tem um entendimento sobre o que é religião. Se você entende que religião é um sistema de crenças com a presença de um líder religioso que define uma estrutura dogmática com normas fechadas trazendo um aprisionamento da sua liberdade afirmo que Yoga não é religião. Se o objetivo do Yoga é nos enxergarmos livres, qualquer caminho que nos aprisione não é Yoga. Dogmas são conceitos rígidos estabelecidos por alguém e que exigem uma fé cega ou uma adaptação do sujeito a essa nova regra. O Yoga nos propõe conceitos verificáveis. Tudo o que apresentamos dentro dessa estrutura de ensinamento pode ser verificável, sendo descartada a necessidade de uma cópia de um comportamento padrão. O que o Yoga propõe é uma nova visão sobre si mesmo, e a partir disso o praticante assume a sua vida com as próprias mãos fazendo suas próprias escolhas. Escolhas que acabam trazendo harmonia para o corpo, opções comportamentais que trazem tranqüilidade e um relaxamento interno essencial para a compreensão de si mesmo. Mudanças que são frutos de um amadurecimento emocional interno.

Entretanto a religião para você pode ser espiritualidade, ou seja, um caminho de reconexão com a divindade que é a nossa essência. E isso sim é Yoga. Esse caminho está presente em todas as religiões o que torna a prática de Yoga compatível com todas elas. Mas o Yoga não se prende a nenhum conceito fechado de qualquer religião. É comum vermos nas salas de prática imagens de tradições orientais como Buda, Krishna, Ganesha, que tem o objetivo de estabelecer um relacionamento com o Divino. Mas esse relacionamento pode ser firmado por qualquer imagem, ou objeto que te remeta a essa ideia da presença divina.

Como tive uma formação católica, reforçada por estudar em colégio de freiras, a imagem de Jesus e alguns santos sempre me foram mais familiares. E, com o estudo do Yoga consigo entender de forma cada vez mais clara passagens da Bíblia que antes eu ignorava. Apesar de não me considerar mais católica, tenho certeza que o caminho do Yoga é totalmente compatível com o caminho dos que seguem essa ou qualquer religião. E a religião se torna um apoio para despertar a devoção, passo importante para que o praticante assuma algumas posturas fundamentais para a prática como a atitude de entrega, de reverência, fruto da consciência da existência de uma força maior, uma ordem que mantêm o Universo.

É importante que, nós praticantes sejamos capazes de sentir em nós mesmos qual é a nossa necessidade para manifestar essa devoção e desenvolver essa espiritualidade, esse desejo por conhecer a unidade em todo o Universo. Compreendendo quais passos devemos seguir, podemos estabelecer um símbolo para esse relacionamento, um símbolo que faça sentido para nós. É sempre bom deixar de lado qualquer repetição mecânica de práticas espirituais e deixar nascer o desejo genuíno de nos tornar livres e compreender esse organismo vivo do qual fazemos parte e que somos nós. Ser livres para manifestar essa devoção de uma forma que faça sentido pra nós.  Por isso, mais uma vez reforço a ideia de que Yoga não é um caminho que nos aprisiona em um sistema de dogmas, mas um caminho que nos torna cada vez mais livres dentro de nossas escolhas.

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